sexta-feira, 28 de julho de 2006

O que o medo faz...

Já ha algum tempo que nós, cariocas, vivemos numa "faixa de gaza" constante. E nem precisamos ir pra Israel. O carioca anda pelas ruas assustado e alerta, pra qualquer pessoa que tenha uma olhar mais intenso e que esteja olhando para você, nem que seja de relance. Apesar da gente já estar vivendo esse caos urbano já ha alguns anos, senti na pele hoje esse "caminhar alerta" pelas ruas.

Estava andando numa rua movimentada daqui do Rio de Janeiro, quando uma pessoa, que estava parada e de costas pra mim, se vira repentinamente e esbarra no meu braço. Como ando alerta e sempre desconfiando de tudo e de todos, coloquei a mão nos bolsos, pra ver se tinha sumido alguma coisa, e quase fui pra cima dessa pessoa por achar que se tratava de alguém com mas intenções. Pra minha sorte, não fiz nada, fisicamente, e fui embora apenas encarando a pessoa. Digo, pra minha sorte, porque me sentiria muito culpado se tivesse o agredido fisicamente, pois a pessoa (um homem de uns 30 anos e alto) estava esperando o ônibus e não estava fazendo absolutamente nada e não estava com nenhuma intenção maldosa. Ele simplesmente esbarrou em mim. Fui andando sentindo-me mal por tal atitude e tentando entender o que tinha acontecido pra eu ter tido tal atitude. A resposta é clara. Medo da violência que atinge o carioca.

A impunidade, a certeza que nada vai acontecer com quem fizer algo fora da lei, a falta de educação, a falta de respeito estão explicitos para todo mundo ver. Bandido rouba, assalta, mata e raramente vai preso. O código penal protege o bandido, a Constituição defende o bandido com unhas e dentes e os Direitos Humanos só "lembram de aparecer" quando acontece alguma ameaça contra a vida a do bandido e não com a vida da vítima. Isso quer dizer que foda-se o cidadão correto, honesto e pagador dos seus impostos. A vida mais importante é a do ladrão, pois ele pode matar o irmão de alguém, o filho de alguém, o neto de alguém, que ele sempre estará protegido perante os braços da justiça (que justiça??? ).

Não é pra se levar a sério um país que defende o bandido e DESprotege o cidadão de bem.

Quem sofre com tudo isso somos nós, que vivemos sob o medo constante da violência e da impunidade.

2 comentários:

Gabriela disse...

Depois de ter sido assaltada a última vez, dentro do carro, ao lado de casa, eu fiquei meio neurótica. Quando eu paro num sinal, fico olhando para todos os lados, com a primeira engatada, e se alguém passa correndo, eu já dou um pulo de susto. É muito triste essa situação...

*****LÉIA***** disse...

Eu vivi a mesma experiência q a Gabriela, já faz um tempinho eu fui assaltada dentro do carro num sinal. Daquele dia em diante meus hábitos mudaram, assim como ela, ao parar no sinal eu tb deixo a primeira engatada, procuro sempre parar na pista do meio, nunca nas laterais...é horrível, mas temos q nos adaptar. Infelizmente às vezes cometemos enganos.