quarta-feira, 5 de julho de 2006

Esse é o nosso povo...

O que mais ouço é que "o povão é burro". Discordo. Peço compras pelo telefone e eles me entregam em casa. Abri a porta pra receber as compras e notei um entregador super educado e solícito. Quando terminou de colocar as compras na mesa, me pediu um favor: "Será que o senhor poderia mandar um e-mail pra lá (pro supermercado) e dizer que o senhor foi muito bem atendido? É uma competição entre a gente." Eu soltei uma gargalhada espontânea e pedi o nome dele. Agradeceu e foi embora.

Vivemos num país miserável onde o povo cresceu na malandragem e foi ensinado, desde criancinha, a dar "o jeitinho brasileiro". Não sei porque, mas SEMPRE acho que quando as pessoas fazem algo além do esperado, estão sendo interesseiras. Não sinto honestidade nelas. Sinto que estão querendo algo em troca. Fico com a pulga atrás da orelha. É o famoso "quando a esmola é demais o santo desconfia". Isso é triste, pois estamos PRÉ julgando. Mas não tem jeito. Num país onde o presidente não tem nem o 2º grau completo, o que se pode esperar da educação nesse país? Tem sempre um interesse por trás de cada ato; uns diretos e outros nem tanto. É uma questão de educação e criação dentro de casa, ou seja, educação. Ora, se eu quiser alguma coisa, trato essa pessoa bem. Se ela não tem nada a me oferecer, faço apenas o meu trabalho e foda-se ela. Se fosse numa época em que não houvesse a "competição", essa educação passaria "batida". Entregariam as compras e iriam embora num passe de mágicas sem abrir a boca e ainda de saco cheio por estarem trabalhando.

Educação é a base de tudo. Tenho que confessar que sou um COMTEANO (Augusto Comte, pensador/filósofo francês, um positivista), "o indivíduo é que faz a sociedade e essa sociedade só vai evoluir quando aumentar o grau de inteligência/educação desses indivíduos." Essa minha confissão não me torna um etnocentrista, mas alguém que não aguenta mais tanta sacanagem, falta de educação, falta de respeito, impunidade, falta de caráter.

A gente gira, gira e sempre volta pro mesmo lugar. Educação. Só não digo que a educação é mais importante do que a comida, porque sem a comida, a gente morre.

EDUCAÇÃO JÁ!!!!

Um comentário:

Gabriela disse...

Ah, concordo com você.
E esse negócio de interesses embutidos em tudo me deixa decepcionada, sempre. Eu sempre acredito que as coisas poderiam mudar, mas aí não mudam. E é sempre o mesmo sentimento.
Enfim........ Brasil né?!