segunda-feira, 24 de setembro de 2007

PREconceito!

Presenciei uma cena no "calçadão" da Urca que me despertou dois sentimentos distintos: tristeza e alegria.

Estava andando e perto de mim, um pouco mais a frente, uma mulher negra muito bonita, que chamava atenção das pessoas. Pois bem, um entregador de compras, de bicicleta, de uma mercearia (como a Urca é pequena as pessoas se conhecem, mesmo que seja de vista) se aproximou dessa mulher e começou a jogar piadinha, como: "O que uma gata como você está fazendo sozinha?", "Vamos se conhecer melhor" e etc. Como ela não estava dando a menor "bola" pro cidadão, sempre olhando para frente, o indivíduo se irritou e disse; "pra uma empregadinha preta, você ta muito metida, heim, garota." A mulher parou indignada: "Como é que é? Empregadinha preta? Você acha que toda mulher preta é empregada, seu babaca? Eu sou promotora de justiça e vou te colocar na cadeia por preconceito!". O cara ficou branco, não sabia o que fazer. Pediu desculpas e acelerou as pedaladas. Uma outra pessoa que também viu a cena, olhou pra mim como se quissesse dizer "bem feito".

Tristeza, porque o preconceito, racismo, a padronização, o rótulo ainda estão vivos na cabeça das pessoas. De todas as raças, credo e classes sociais. Falta educação pro nosso povo. Para todos! Pro pobre e pro rico, sem distinção alguma.

Alegria, por dois motivos: um, porque o cara tomou um tapa com luva pelica. Dois, porque a maioria das vítimas desse tipo de preconceito está se instruindo, tornando-se autoridades, políticos, médicos, economistas, advogados. Ainda estamos anos luz de um país justo, mas já é um passo e tanto para o progresso.

Um comentário:

Eduardo disse...

Na semana da absolvição imoral de Renan Calheiros promovida pelos senadores/2007, vi um adesivo colado no vidro traseiro de um carro popular dizendo:
“Eu tenho vergonha dos senadores do meu País”.
Esse adesivo traduz um pequeno aspecto do meu sentimento sobre aquela já deplorável casa: o Senado Federal.
Vou mandar fazer um adesivo daquele para mim.

Nunca pensei que um dia eu pudesse desrespeitar tanto uma classe como a classe dos senadores do Brasil.
Este é um sentimento ruim que não faço questão nenhuma de controlar nem de esconder. Parto, então, para a merecida descompostura. Dirijo-me a todos vocês, senadores, distintamente, considerem-se nominados, e quando eu o fizer no singular é porque quero o tom de quem lhes olha bem nos olhos.

“Desprezíveis senadores, meu senso de moral não me permite evitar de considera-los assim, desprezíveis.
Sou de uma cidade em que os homens têm brio.
Certamente, a julgar por suas manobras sórdidas no senado, não sabem o que é isso: brio.
Sinto-me então, na obrigação de lhes ensinar.
Brio é o sentimento da própria dignidade, pudor, vergonha de seus atos.
Brio é um dos primeiros sentimentos que um pai busca despertar em seu filho.
Em minhas conjecturas sobre vocês e seus atos, chego a questionar a honradez de suas famílias, pois me é difícil acreditar que foram criados e educados por pais honestos e honrados.
Lá na cidade de onde eu vim, todo homem é espelho da criação que teve de seu pai.
Lá na cidade de onde eu vim, famílias honradas não produzem filhos desprovidos de moral como vocês se mostram a cada manobra.

Não me peçam para tratá-los por qualquer título que julguem merecer, seria muita arrogância de sua parte e indisfarçável falsidade minha se acolhesse. Não contem com isso.
Por suas atitudes últimas vocês acabaram de se descredenciar como merecedores desse meu respeito.

Não tenho dúvidas em meu íntimo, senador: não há pai que possa ter deixado de ensinar a seu filho princípio tão essencial como o da vergonha, a menos que não a tivesse também. Sendo assim, não posso ter respeito também pelo seu pai, que não lhe ensinou o que é o sentimento pela própria dignidade.
Além de ensinar para os meus filhos e netos o que é brio, terei de ensinar-lhes que essa é uma qualidade que os senadores de 2007 não têm.
Por fim, senadores, a partir de suas atitudes de tamanha desfaçatez e envenenamento da dignidade, avalio a possibilidade de os classificar como animais peçonhentos porque lá na cidade de onde eu vim, com a consciência e a sensação do dever cumprido, animal peçonhento a gente mata.” Eduardo Gebara